quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ano Novo em clima mineiro, em Passa Quatro-MG

O Ano Novo deve ser o feriado mais caro do ano para quem quer viajar. Passagens, hotéis, tudo com preços nas alturas e vagas esgotadas. Mas como tínhamos uns dias a mais de folga nesse período, resolvemos não desperdiçar e fazer uma viagenzinha mais barata para conhecer Passa Quatro, em Minas Gerais.
Cachoeiras, Picos e uma cidade tranquila foi o que encontramos por lá. Ficamos em uma Pousada Chamada Ponto 4, bem simples e econômica, mas com ótimo atendimento e longe do barulho centro da cidade, em um bairro bem sossegado.



Nosso objetivo principal era conhecer alguma coisa da Serra Fina, mas achar um Guia que fizesse alguma trilha conosco por lá não foi fácil. Apesar de ser bem turísticas, existem poucas pessoas na cidade que fazem serviço de guia. A maioria vem de fora, por conta da famosa travessia da Serra fina.
Enquanto não encontrávamos um guia, aproveitamos para explorar as cacheiras da região que são de fácil acesso. Algumas são bem legais, outras estão bem detonadas pelo uso descontrolado e por intervenções humanas.

No primeiro dia, conhecemos a Cacheira da Gomeira que é bem bonita e gostosa para tomar uma ducha, mas é preciso subir até a primeira queda para aproveitar o visual. Para chegar, pegue um mapa na cidade e pergunte muito, porque quase nada tem sinalização por lá.

Depois fomos tentar conhecer o poço do Quilombo, que não achamos! Na estrada existiam algumas placas, mas sozinhos não conseguimos encontrar. Por acaso, vimos nessa estrada o Ingazeiro que é uma árvore famosa por lá por ser centenária e gigantesca.

No outro dia, fomos ao Rio Verde, que é igualmente difícil de encontrar, mas que compensou todo o esforço, porque o lugar é lindo. A água é verdinha e tem várias quedas que formam deliciosos poços para se refrescar do calorão. Ficamos por lá quase o dia todo só curtindo a parte menos acessada que eles chamam de Paraiso, por que será?

Neste dia também passamos pela Floresta Nacional de Passa Quatro, mas a cachoeira lá foi uma grande decepção. Além de estar lotada de gente, ela tem um poço feito de concreto, uma intervenção horrorosa que acabou com toda a beleza do lugar. O Parque em si é bonito e bom para quem quer fazer uma caminhada relaxante.

A noite, como era virada de ano, fomos para praça, como todos os habitantes da cidade. Assistimos uma queima de fogos bem legal promovida pela prefeitura. Depois rolou uma banda local tocando na pracinha que animou a galera. O lugar ficou lotado, foi um dos maiores eventos da cidade!
Enfim, no nosso último dia na cidade conseguimos um Guia! Encontramos o Guto (Cel. 35 9169-9878) um guia muito experiente e gente boa que por um preço honesto nos levou no Pico do Capim Amarelo, que é a primeira parada para quem faz a travessia da Serra Fina.



A trilha é linda e a vista da Serra Fina compensa todo o esforço, mas é melhor avisar: não é uma subida fácil! O ponto de partida foi a Toca do Lobo, passamos por dentro de uma pequena mata e depois a trilha é toda exposta no Sol, que em dezembro não estava fraco. Subimos e descemos montanhas até alcançar o Pico. É subida que não acaba mais, daquelas bem fortes. Então, é preciso sim um preparo físico legal para dar conta de todas as subidas que hora são em chão de areia, com pedras soltas ou em meio ao capinzal.
O Pico tem esse nome por conta do capim que no sol fica com um aspecto dourado. Lá de cima, além da Serra Fina, é possível avistar outros picos da região como o Itaguaré. Usamos o dia todo para fazer a trilha com tranquilidade e ficamos com um gostinho de quero mais, pois ainda existem outros picos para conquistar por ali, mas os nossos dias de folga tinham acabado.

Mas antes de acabar esse post não podemos deixar de compartilhar com vocês as nossas dicas gastronômicas de Passa Quatro! Como uma boa cidade mineira, os queijos e doces de leite são uma delícia. Promovamos e aprovamos os produtos da Ecila Latícinios e de uma loja que fica ao lado da estação de trem. Para um café no final da tarde, um milk-shake espantar o calor ou um açaí depois da trilha a nossa recomendação é o Café e Cia, que fica na frente da praça dos Leões. O lugar é todo charmosinho, simpático e com preço bom.



Um dia jantamos em um rodizio de pizza bem gostosinho e com várias opções vegetarias, se eu não me engano o restaurante chamava seis e meia, mas também é a única pizzaria da cidade! Mas o melhor lugar de todos foi a esfiharia Monte Líbano, essa é um show a parte!


Praticamente, no quintal da casa do seu Chico, ele e sua família servem esfihas e outros pratos árabes feitos na hora e na frente do cliente! Você se sente jantando na cozinha de um velho amigo, com direito a prosa e pratos que vem do forno para sua mesa. O sabor é delicioso e o ambiente aconchegante, mas atenção, são só seis mesas, então tem que reservar para conseguir experimentar as delícias do seu Chico. Achar o local também não é tarefa fácil, mas pergunte pela cidade, todo mundo conhece o local.
Definitivamente, Passa Quatro é uma cidade muito especial e fez da o nossa virada de ano um momento muito especial. Se você ainda não conhece, corre para lá e aproveite toda a hospitalidade do povo mineiro.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Enfim, bem-vindos a Cachoeira do Tabuleiro!

O grande objetivo da travessia Lapinha x Tabuleiro é alcançar por cima a grandiosa Cachoeira do Tabuleiro e esse foi o roteiro do nosso segundo dia de caminhada (veja como foi o primeiro dia no post anterior).
Mirante
 A partir do nosso ponto de apoio, a casa do Sr. José e Dona Maria, a trilha para a Cachoeira é tranquila, só descida. O que significaria uma volta um pouco mais sofrida, afinal teria muitas subidas pela frente. O tempo feio de manhã nos deixou desanimados, com medo da neblina que atrapalharia a vista da queda d’agua, mas conforme seguíamos pela trilha, o tempo foi limpando e chegamos ao mirante já com o tempo aberto.


A Cachoeira do Tabuleiro é a mais alta de Minas Gerais e a terceira maior do Brasil com seus 273 metros de altura. De uma beleza impressionante, a o rio ainda forma belos cânions na parte alta que rendem deliciosos banhos e “hidromassagens” naturais.


Quando chegamos à base da Cachoeira, além do visual deslumbrante da queda, tivemos também duas grandes surpresas. Primeiro um show de um revoada de Andorinhas que brincavam no ar, envolta da queda d’agua e depois a chegada de uma turma do Canal Off, que estava gravando o salto de base jump de quatro paraquedistas, para o Programa Abismo.



Nós nos divertimos assistindo a gravação e os saltos da galera, cachoeira abaixo. Depois ficamos até o final do dia curtindo as quedas d’aguas e poços formados ao logo do curso do rio.



No último dia, acordamos cedo, nos despedimos do pessoal e seguimos para a parte baixa da cachoeira do Tabuleiro que é a área mais visitada pelos turistas.

Como para acessar a parte de baixo é necessário passar pela portaria do Parque, são cobrados 10 reais por visitante. Meio estranho, já que já estávamos dentro da área do Parque, mas ok. Pagamos e seguimos a trilha para o poço.


Há quem prefira a parte baixa, mas para nós, poder admirar esse monumento da natureza por cima foi a melhor parte da travessia. Como o tempo não estava muito bom, não ficamos muito e logo encaramos a subida de volta a portaria e a estradinha até a pequena Vila de Tabuleiro. Como o ônibus da Vila para a rodoviária de Conceição do Mato Dentro -MG só iria passar no dia seguinte, pernoitamos no Tabuleiro Eco Hostel que é bem bacaninha.

Fique atento que esse ônibus de Tabuleiro para Conceição só passa alguns dias da semana e apenas no período da manhã. Então, se informe no Hostel para programar a sua viagem. Essa região é bem precária em termos de transporte público e os taxistas “enfiam a faca” nos turistas.

Fazer essa travessia foi uma experiência muito especial e apesar dos custos de passagem e guia no feriado, valeu a pena. Minas Gerais é um estado muito acolhedor e cheio de belezas que vamos descobrindo a cada visita.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Travessia Lapinha x Tabuleiro

O plano inicial era aproveitar o feriado de novembro para fazer a travessia Petrópolis x Teresópolis, mas a um mês da viagem o Parque Nacional da Serra dos Órgãos pegou fogo. E a queimada foi tão intensa que a trilha foi interditada por tempo indeterminado. Então, rapidamente, tivemos que mudar os planos e resolvemos tentar a travessia Lapinha x Tabuleiro em Minas.

Buscando na internet encontramos o Bruno da Bambo Aventura (www.bambuaventura.com.br) guia experiente na travessia para nos acompanhar, mas que nos cobrou uma grana pelo passeio, pois não havia grupo formado para este período, já que o feriado era apenas em São Paulo.

Fomos de avião até Belo Horizonte e de lá pegamos um ônibus daqueles que vão pingando de cidade em cidadezinha até Santana do Riacho, a partir daí são 11 km de estrada de terra até Lapinha da Serra, mas não existe transporte público neste trecho, então o jeito é pegar um táxi. Como já tínhamos fechado o guia, como cortesia, ele nos buscou em Santana do Riacho e nos deixou em uma pequena pousada onde passamos a noite na Lapinha.
Café da Manhã no Camping
No dia seguinte, tomamos um ótimo café da manhã no Camping ao lado e colocamos o pé na trilha. A subida da Serra da Lapinha é tranquila e de um visual belíssimo. A Serra tem pouca vegetação, mas as formações rochosas compõe um visual diferenciado.

Inicio da Trilha
Cada trecho da Serra recebe um nome e são cortados por pequenos riachos ondem é possível pegar água limpa e até se molhar um pouquinho para se refrescar do calor intenso que faz em novembro. Como caminhamos por pastos e na crista da Serra, onde não há vegetação, o sol judiou um pouco, mas a paisagem é um presente a cada monte que se atravessa.


No meio da tarde chegamos a casinha da Dona Maria e sr. José, que foi o nosso ponto de apoio na travessia. Alugamos um quarto na casa deles para as duas noites (50 reais cada) e fechamos janta (20 reais cada) e café da manhã (10 reais cada) para o período. Tudo era muito simples, mas gostoso e aconchegante.

Casinha da Dona Maria e Sr. José
Pelo caminho, muitas placas indicam a casa de Dona Ana Benta como ponto de apoio, mas o que a maioria dos trilheiros não sabe é que ela não esta mais morando ali, assim, quem pega esse caminho já tradicional na travessia fica desamparado. Então, se você encarar essa travessia sem guia, informe-se antes sobre os pontos de apoio.
Árvore da Preguiça
Depois de uma deliciosa comidinha mineira orgânica, um céu estrelado e um dedinho de proza como os moradores do lugar, fomos dormir para nos preparar para o segundo dia de caminhada, que seria mais longo e emocionante, pois alcançaríamos a cachoeira do Tabuleiro por cima.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Comer, caminhar e se molhar em Intervales - SP

Quando estivemos no Petar, ouvimos falar do Parque Estadual Intervales, que fica entre o Parque Carlos Botelho e o Petar. E que tem um pouquinho dos dois: cavernas, cachoeiras e muita Mata Atlântica.


Esse parque foi no passado uma colônia de férias do Banespa, por isso, ele oferece toda uma estrutura de hospedagem antiga, mas muito bacana, limpa e organizada. Para fazer a reserva é necessário entrar em contato com a Fundação Florestal. Neste contato, você também já pode reservar o guia, pois praticamente para todas as atrações é obrigatório o acompanhamento de um guia credenciado pelo parque. A diária do guia sai R$ 50,00

Pousada Pica-Pau
Nós ficamos na Pousada Pica Pau, pagando uma diária de R$ 74,00. O Parque tinha um restaurante que hoje está fechado aguardando o processo de licitação, então é necessário levar comida e cozinhar na cozinha coletiva da Pousada. Inicialmente, dá uma preguiça, mas a cozinha está bem equipada e depois descobrimos que é delicioso curtir aquele clima de natureza saboreando uma comidinha natureba e caseirinha. E nem dá tanto trabalho assim!


O Parque oferece trilhas bacanas para a criançada e trilhas mais interessantes para quem gosta da coisa, mas todas são de apenas um dia. Dizem que vão liberar uma travessia Petar – Intervales de três dias, mas até o momento nada.

No primeiro dia, como chegamos quase na hora do almoço, fomos conhecer a Cachoeira do Mirante, que é pequena, mas tem um pocinho que dá para se molhar e a Gruta Colorida, que não tem lá muitas cores e também é pequena e molha os pés, pois dentro existe um pequeno rio que é preciso atravessar.

Cachoeira do Mirante

A trilha para chegar nessas duas atrações é curtinha e bem tranquila.

Quando voltamos aproveitamos para caminhar nas áreas de acesso livre do Parque. Conhecemos os lagos, as pousadas, as ruínas do castelinho de pedra, e a piscina natural que fica atrás da casinha dos guias, que no verão deve render um bom banho.

Castelinho
O segundo dia, foi dedicado a conhecer as cavernas com o sr. Faustino, um guia ótimo que mora e trabalha há muitos anos no Parque. Começamos pela Gruta Luminosa que tem uma bela cachoeira dentro e é de fácil acesso. No meio do dia, a luz entra na caverna conferindo um visual diferente para o lugar.

Depois seguimos pata a Gruta dos Paiva, essa já bem maior em extensão e com salões mais amplos. O acesso também é fácil e a trilha tranquila. E para terminar, fomos encarar a Gruta do Fendão, a mais famosa de Intervales.

Gruta Luminosa
A fama provavelmente se deve ao desafio que é acessar essa gruta, que é literalmente uma fenda dentro da terra, aberta por um rio de água geladíssima. Todo o percurso é feito dentro da água, hora com água nos joelhos, hora com água na cintura.


Entramos por um lado e sairmos por outro, por isso, tivemos que nos esgueira por fendas e buracos até chegar ao final, em que subimos por uma cachoeira dentro da caverna para encontrar a saída. Nem preciso dizer que agente se molhou muito naquela água gelada, mas a sensação foi incrível e o visual dentro da caverna é surpreendente. De fato, não dá para ir à Intervales e não conhecer a Gruta do Fendão.

Cachoeira do Arcão
No último dia o nosso roteiro foi conhecer a Cachoeira do Arcão, que é muito linda. O rio corta uma pedra e forma um arco em volta da cachoeira, um visual realmente incrível.  A trilha é bem íngreme, mas é bem curta, por isso, depois aproveitamos para conhecer a Cachoeira da Água Comprida que fica quase na beira da estrada. Essa é pequena e bem tranquila, boa para quem quer tomar um banho.


A tranquilidade, organização e comodidade de Intervales nos conquistaram, então em breve vamos retornar para conhecer as outras cachoeiras e cavernas e curtir mais um pouco o som dos passarinhos que fizeram a nossa trilha sonora por lá. Aguardem os próximos posts!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Golfinhos e Cachoeiras na Ilha do Cardoso

Feriado à vista, hora de buscar um novo destino!
Como o tempo ainda estava bom, em maio resolvemos variar dessa vez e ir para praia. Destino escolhido: Ilha do Cardoso!
Ilha do Cardoso
Para quem não sabe a Ilha do Cardoso é uma Parque Estadual com 151 quilômetros de extensão na divisa de São Paulo com o Paraná. Para chegar a esta área protegida é necessário ir até Cananeia, deixar o carro em alguma rua ou estacionamento e pegar um barco.
Caminho pra Praia
Na temporada, algumas escunas fazem o percurso a um preço mais acessível, mas em finais de semana normais e feriados menos concorridos é necessário pegar uma voadora para chegar a Ilha. Os pilotos cobram em média R$150 reais para o trajeto ida e volta. Para economizar ficamos lá no píer fazendo hora para ver se chegava mais alguém para rachar esse custo. Logo apareceu um casal e seguimos caminho agora pelo mar.
O percurso dura em média trinta minutos, mas o mais bacana é passar pela “baia dos golfinhos”, onde é muito difícil não avistar um desses lindos animais marinhos. Nós vimos vários, tanto na ida quanto na volta.
Golfinhos
Ficamos hospedados na Pousada Ilha do Cardoso, no Maruja. A pousada é bem simples, mas tem banho quente a gás e uma lâmpada que funciona a noite, pois na Ilha não há energia elétrica e tudo dependente de gerador. Então, se pretende ir para lá leve sua lanterna!
Achamos o valor da diária um assalto, mas, por ser feriado todas, as pousadas por lá cobram preços abusivos, então outra dica é ir nos finais de semana normais ou levar a sua barraca e acampar, pois o camping com direito a banho quente é baratinho.
Pousada Ilha do Cardoso
A Ilha é linda, as praias são encantadoras e limpíssimas. A vilinha do Marujá também é bem charmosa, mas prepare-se para gastar, só há dois restaurantes por alí que cobram uma grana por um PF básico e pagamento é só dinheiro.
No primeiro dia ficamos na praia do Marujá só curtindo o sol e o mar, mas no segundo dia fomos à Associação de Monitores da Ilha e fizemos um passeio que eles chamam de Cachoeira Grande. Cachoeira nem é tão grande assim. Depois de um percurso de 15 minutos de barco pegamos uma trilhazinha até o ponto onde o rio forma um poço  com uma queda de água que rende um banho gelado.
Cachoeira "Grande"
No outro dia fomos conhecer os que eles chamam por lá de Piscinas. Para chegar é necessário andar até o final da praia do Maruja, atravessar pelas pedras para a praia do Fole e andar até quase o final dessa praia. Depois é entrar na trilha e andar mais uns dois quilômetros. No final são muitos quilômetros andando pela praia no solão e poucos na trilha, mas o destino vale a pena. As piscinas que a cachoeira forma são lindas e rendem um banho delicioso de água doce,  cristalina e cheia de peixinhos
Caminho para as Piscinas
Piscinas
Existem outros passeios oferecidos pelos moradores, mas todos são feitos de barco e dessa vez não tivemos tempo suficiente de fazer para faze-los. A volta a terra firme foi de voadora também, pois combinamos o ponto e horário para que ele pudesse nos buscar.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Mucugê, Igatu e outras andanças pela Chapada Diamantina-BA

A nossa viagem à Chapada continuou rumo a outras cidades que ficam no entorno do Parque Nacional. Após uma boa noite de sono em Lençóis, acordamos, arrumamos as coisas e pegamos a estrada em direção a Palmeiras.

Essa cidade não é nada turística apesar de estar entre o Capão e as principais grutas da Chapada, mas abriga um ótimo Hostel, o Caminhos da Chapada, que usamos de pouso para revisitar as grutas da Pratinha e Azul e para conhecer a famosa Cachoeira da Fumaça.

No dia seguinte seguimos rumo a Mucugê. Fizemos uma parada rápida em Andaraí para abastecer e seguimos para Igatu, nosso primeiro destino. Mas antes, demos uma paradinha na Toca do Morcego para comprar um daqueles adesivinhos com o morceguinho sorrindo que já é tradicional alí e tomar um sorvete caseiro observando a Cachoeira da Donana.

A estrada para Igatu já é um passeio à parte. Ela ainda conserva o calçamento original de pedras e são em média sete quilômetros até a Vilinha. Igatu, na época do garimpo, chegou a ter milhares de habitantes, hoje conta com no máximo 200 habitantes, por isso, parte das construções da cidade ficaram abandonadas criando as famosas “Ruinas de Igatu”.



Como a maior parte das construções são de pedras até hoje, andar pelas ruinas é um retorno ao passado, infelizmente a cidade tem pouca estrutura turística e é difícil achar os pontos mais interessantes, pois como nos disse um dos moradores “aqui tem ruinas para todos os lados que você andar”.


Mas mesmo assim vale a visita e se você gosta de tirar fotos, esse passeio será um prato cheio. Não deixe de ir até a igreja e percorrer o caminho para a grua, que tem um lindo visual da Serra do Sincorá.

Depois da tarde que passamos em Igatu, seguimos para Mucugê, uma cidadezinha que conserva a arquitetura e a história da região. Além de muito limpa e organizada, Mucugê é cercada pela bela Serra do Sincorá, que de acordo com os locais ainda guarda muitos diamantes. Por isso, ao caminharmos por lá encontramos algumas tocas de garimpeiros tradicionais que ainda trabalham na região buscando manualmente algum diamante.


Para conhecer a Serra do Sincorá, contratamos um guia na Associação de Guias da cidade e seguimos para a trilha do Cânion das Sete Quedas e Cachoeira das Andorinhas. O caminho é tranquilo, uma parte feita pela Serra, onde é possível curtir o belo visual da região e também conhecer o funcionamento dos antigos garimpos manuais. E a outra parte é feita pelas pedras na margem do rio, atravessando de um lado para o outro para acessar todas as cachoeiras e poços. No calorão da Bahia, o banho aí é irresistível e o visual é lindo.


Mucugê ainda guarda o Projeto Sempre Viva que é uma organização muito bacana que trabalha na preservação dos campos das sempre vivas e também resgata no seu museu um pouco da história do garimpo na região. E o cemitério bizantino, uma construção histórica e inusitada, também vale a visita.

Na volta para Lenções , encontramos um restaurante na beira da estrada, perto de Andaraí, bem gostoso e com opções vegetarianas e veganas, chamado Kabana. Se estiver com fome, é uma ótima pedida.

Passamos mais um dia em Lenções descansando e depois retornamos para São Paulo, mas sem muita vontade de voltar, afinal os dias que vivemos na Chapada Diamantina foram um encanto!




segunda-feira, 16 de junho de 2014

Último dia no Pati e o lindo Vale do Capão

No dia seguinte acordamos cedo para a volta. Depois de um café reforçado e despedidas, colocamos o pé na trilha e, mesmo sem vontade de ir, seguimos para as Gerais para fazer a subida do mirante. 
Pati (cedinho)
Decidimos fazer a volta pelo Vale do Capão, ao invés de retornar por Guiné. São em média 24km de caminhada, mas o visual é inusitado. O sol judia, mas o lugar compensa.


Subida das Gerais
 
 O trecho mais difícil, sem dúvida, é a subida das Gerais, até alcançar o mirante. Se descer não foi fácil, imagina subir depois 4 dias de esforço intenso. Os joelhos já estavam acabados e esse tal de Dorflex, só fazia cocegas no último dia, mas encaramos a subida pedregosa e ao chegar ao topo fomos recompensados por um lindo céu azul e a nossa última visão do Vale do Pati.
Mirante
Depois de descansarmos um pouco, tirar as últimas fotos e se despedir do Pati, seguimos sobre o platô para alcançar o Vale do Capão. No fim do platô começamos a descer e avistar um pouquinho do que seria a vista das nossas próximas horas: um lindo vale quase plano e descampado, enquadrado por enormes morros da Chapada Diamantina.

O nome Capão tem tudo haver com lugar, pois andamos horas cercados apenas de vegetação rasteira e para o nosso azar, nenhuma sombra. Contudo, apesar disso, foi um experiência e incrível estar no meio daquela vastidão, sem ver o fim do caminho.
Passamos por alguns riozinhos onde pudemos tomar um pouco de água fresca para seguir. No fim do Vale você entra na trilha para a Vila do Capão e cruza a trilha que segue para a Cachoeira da Purificação. A partir daí, cruzamos dois rios aonde é possível até tomar um banho para repor as energias.


Vale do Capão
No fim da trilha, ao chegar à estrada para a Vila do Capão, para comemorar, comemos um delicioso pastel de jaca com uma cervejinha bem gelada, na casa de uma senhora que mora ali na beira do Rio mesmo e fatura com trilheiros esfomeados como nós que passam por aí. Foi o melhor pastel de Jaca que comemos no Capão, seja por estar bem sequinho e temperado, seja por ter um gostinho especial de desafio vencido depois do retorno do Pati.
Neste ponto da estrada de terra para o Capão o carro contratado pelo Flor, nosso guia, nos esperava e voltamos exaustos para Lençóis.
Com certeza, esses dias no Vale do Pati foram uma experiência mágica e apesar do esforço físico, foi muito recompensadora por todas as paisagens que vimos, todas as pessoas que conhecemos e todas as experiências que vivemos. Um dia agente ainda volta para lá!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Morro do Castelo e o Cachoeirão do Pati

Enfim, chegou a hora de conhecermos o Morro do Castelo! A subida não é nada simples e nos pareceu a subida mais cansativa que fizemos no Pati. Não é impossível, mas vá se preparando psicologicamente para o desafio. Contudo, a vista lá de cima compensa e muito o esforço.
Cachoeira do Funil
Decidimos começar esse dia conhecendo a Cachoeira do Funil que rende um bom banho gelado. Lanchamos e fomos encarar o Castelo. A subida é bem íngreme com muitas pedras e quando você pensa que está acabando, aparece mais subida. Na base é preciso atravessar uma caverna onde é necessário o uso de lanterna e talvez blusa se você for friorento, pois dentro é bem gelado e escuro.
Saída da Caverna
Depois é só subir mais um pouquinho e lá está a maravilhosa vista do Vale do Pati com suas montanhas e depressões. Tivemos sorte e pegamos um céu bem aberto e azul, mas por conta da descida que nos esperava resolvemos não ficar para esperar o por do sol, que deve ser lindo lá de cima.
Vista do Vale do Pati (em cima do Castelo)
No terceiro dia no Vale, fomos conhecer o Cachoeirão, outro cartão postal da região. A queda é muito maior que a da Cachoeira da Fumaça e a paisagem no entorno é estonteante. São diversas quedas que podem ser observadas de dois pontos quando acessada por cima e são tão altas que nem cabem na foto, só os olhos podem registar mesmo.
Cachoeirão
A trilha para o Cachoeirão  é relativamente tranquila, já que boa parte dela é feita por um platô, o que judiou foi o sol da Bahia que não deu trégua em nenhum momento. Na volta, resolvemos voltar por outro caminho para curtir o visual, conhecido com “A Fenda”.
Vista do Vale (Cachoeirão lado oposto)
A descida é bem íngreme e feita na maior parte em mata fechada, então é menos sol na moleira, mas mais limo no chão! O visual é lindo e vale o esforço.
Fenda
Ao retornar à casa do André para a última noite no Pati enfrentamos mais um banho gelado e esquentamos o estomago com mais um banquete quentinho preparado pelo Flor no fogão a lenha. As noites no Pati são bem frias, por incrível que possa parecer, então, blusa e cobertor são indispensáveis por lá. 
Janta no fogão a lenha
E cuidado com as aranhas, pois uma resolveu ir dormir dentro da minha calça que estava pendurada na parede, imagina a emoção! Sorte que quando estou no mato, sempre sacudo tudo antes de vestir.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O Mágico Vale do Pati

Planejando esta viagem para a Chapada Diamantina, já tínhamos o objetivo de fazer a trilha do Pati, que geralmente tem duração de 4 dias. Conversando com uma amiga que já tinha feito este roteiro recebemos a indicação de um guia chamado Flor (flortrekking@hotmail.com), que de acordo com essa amiga era o melhor guia da Chapada. Enviamos e-mail para o Flor, antes de sair da Sampa, combinamos tudo e lá fomos nós.

Iniciamos a trilha por Guiné-BA, mas ela também pode ter inicio no Vale do Capão. Fomos com o grupo em um carro contratado pelo Flor de Lenções para Guiné e depois de uma parada estratégica em Palmeiras para comprar alimentos, o carro nos deixo no inicio da trilha.

Com as cargueiras carregadas com tudo para os próximos 4 dias, começamos a subida da Serra do Aleixo. Depois da primeira subida seguimos sobre o platô até chegar a um pequeno rio, chamado Rio Preto, onde paramos para lanchar e nos refrescar. No inicio da tarde chegamos ao Mirante do Pati  de onde se tem uma vista deslumbrante do Vale. Só esse visual já valeu a caminhada, mas quando começamos a descida do mirante vimos que ainda tinha muito mais.

Depois da descida pesada seguimos o caminho para casa do André Pereira, onde ficaríamos hospedados. O André é um rapaz muito bacana, que construiu sua própria casa com tijolos de adobe e hoje aluga “colchões” para quem se aventura no Pati.  Ele é filho da primeira geração de moradores do Vale, que chegaram à região para plantar café. Contudo, com a transformação das terras em área de conservação, muitos saíram do de lá ou começaram a trabalhar com o turismo, como fez a família do André.


No Pati, nem todas as casa tem energia elétrica e a do André é uma dessas. Sem luz, fogão à lenha, chão de terra batia e banho frio o “Alto do Luar”, como ele denomina sua “pousada”,
  é de um chame só e fica em um lugar maravilhoso em que a noite  a lua fica enquadrada nas montanhas da Chapada. Nem preciso dizer que adoramos ficar lá as três noites que dormimos dentro do Vale.


No dia seguinte acordamos cedo e tomamos um baita café preparado pelo Flor, que pilota com maestria o fogão a lenha, fazendo até pão caseiro! E colocamos o pé na trilha para subir o Morro do Castelo.